Citânia de Briteiros uma das maiores “cidades” da Idade do Ferro

A citânia de Briteiros, próximo de Guimarães, é um sítio arqueológico constituído por um vasto número de ruínas de um povoado fortificado habitado desde a Idade do Ferro. É assim um dos exemplos mais bens preservados da chamada cultura castreja.

 

Os primeiros povoados na Península Ibérica remontam à Idade do Ferro e designam-se castros ou citânias, consoante o seu tamanho for menor ou maior respetivamente.

Existem diversos vestígios deste tipo de organização espacial principalmente no norte da península. A Citânia de Briteiros, conjuntamente com a Citânia de Sanfins, terá sido uma das principais cidades, que congregava outros castros.

Citânia de Briteiros

Chama-se cultura castreja a estes povoados, uma vez que espacialmente têm características comuns. São assim povoados amuralhados, com caminhos que dão acesso a casas de planta circular. Topograficamente ocupam lugares elevados, no topo de montes ou penhascos, para melhor defesa. Os castros são assim uma primeira forma de organização espacial a que se pode chamar “cidade”.

Citânia de Briteiros

A Citânia de Briteiros localiza-se no monte de São Romão, na freguesia de Salvador de Briteiros, a cerca de 10 km a norte de Guimarães.

O sítio

O sítio oferece excelentes condições de defesa natural, com domínio sobre uma vasta área envolvente. Possuía igualmente vários afloramentos rochosos de granito, o elemento construtivo base das edificações e muralhas na época. Estes fatores foram determinantes para a implantação do castro em Briteiros. Existem ainda outros vestígios de povoamento da zona, nomeadamente mamoas e pinturas rupestres.

Citânia de Briteiros

Cronologia

Habitada desde a Idade do Ferro até ao período de ocupação romana, a Citânia de Briteiros terá sido um dos maiores castros da região e a capital política dos “Callaeci Bracari” no século I d.C. No século II d.C é abandonada.

Apesar de citada em textos do século XVI, as ruínas são descobertas em 1875 por Martins Sarmento, um dos primeiros arqueólogos portugueses, natural de Guimarães. Este adquire o sítio para ali efetuar escavações e estudos arqueológicos.

Uma segunda grande campanha de escavações é levada a cabo por Mário Cardozo em meados do século XX.

A partir de 1999 são empreendidos novos estudos. Incluem levantamento topográfico e sondagens com trabalhos de campo realizados em parceria com a Universidade do Minho.

Citânia de Briteiros - cronologia

Descrição

A Citânia de Briteiros ocupa uma área de 24 hectares. É constituída por vários “bairros” habitacionais, zonas de utilização pública, arruamentos lajeados, dois balneários e a “casa do conselho” uma edificação onde se reuniriam os membros mais importantes da comunidade. Era protegida por três linhas de muralhas concêntricas, construídas em blocos de granito com cerca de 5 metros de altura. Possuía ainda uma quarta linha de muralha na vertente mais desprotegida a noroeste.

Citânia de Briteiros

A habitação tipo apresenta uma planta circular, sendo construída em granito com cobertura em colmo. No âmbito dos trabalhos de Morais Sarmento no século XIX são reconstruídas algumas destas habitações.

arquitetura portuguesa

Uma das ruínas mais interessantes é a do balneário, composto por dois compartimentos, um destinado para banhos a vapor e o outro para banhos de água fria.

Citânia de Briteiros

Centro de Acolhimento

Em 2004 é construído o Centro de Acolhimento, a entrada da Citânia, constituído pela bilheteira, sala de chá, sanitários e um espaço complementar multifuncional. O edifício projetado pelo arquiteto Manuel Antunes, do gabinete Crear – arquitectura, assume uma linguagem contemporânea. Contudo o uso de um material local, o granito, e a leveza da construção, proporcionada pelos amplos envidraçados, fazem com que a nova construção se funda com a paisagem e não colida com as ruínas castrejas. A plataforma onde se implanta oferece ainda uma vista privilegiada sobre a paisagem envolvente.

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Publicado em 2013.11.08 | Atualizado e republicado em 2018.11.16

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