Ser Arquiteto

O que faz um arquiteto hoje em Portugal e quais os desafios que enfrenta no exercício da profissão.

O que faz um arquiteto?

Vitrúvio, arquiteto e engenheiro romano, autor do primeiro tratado conhecido sobre arquitetura, De Architectura, escrito em 27 a.C., defende que a arquitetura se baseia em três princípios: beleza (Venustas), construção (Firmitas) e função (Utilitas).

Hoje estes pilares ainda são válidos, mas ser arquiteto é mais do que isso.

O trabalho de um arquiteto combina:

  • Vertente artística, o lado mais visível da arquitetura e que transmite um pouco o gosto do arquiteto;
  • Componente construtiva, que passa pela adoção de soluções construtivas que garantam qualidade, durabilidade, eficiência energética e conforto acústico;
  • Funcionalidade e proporcionalidade dos espaços;
  • Dimensão humana, indo ao encontro ao que as pessoas se identificam e do que precisam para sentir conforto e segurança;
  • Integrante paisagística e urbana, criando um edificado que se integre na envolvente;
  • Componente ambiental, procurando criar soluções mais sustentáveis;
  • Vertente técnica no cumprimento de legislação geral e local;
  • Controlo de custos, por forma a cumprir o limite orçamental do cliente.

O trabalho de um arquiteto abrange, assim, um leque diversificado de conhecimentos técnicos e teóricos, interligados ao lado criativo. É o pensar nisto tudo que faz um bom projeto.

Prática profissional

Por se tratar de uma área de formação abrangente, existem diferentes saídas: trabalho de projeto, técnico nas câmaras municipais, direção e fiscalização de obra, arquitetura de interiores, modulação 3d e realidade virtual, fotografia e vídeo de arquitetura, entre outras.

Hoje em Portugal muitos arquitetos continuam a enfrentar precariedade de trabalho. O mercado está saturado, o setor da construção, apesar de melhor, ainda contínua em crise e há uma grande percentagem de profissionais a trabalhar a “recibos verdes”, o que não garante estabilidade.

Contudo, a crescente consciencialização da necessidade de reabilitar o património edificado, veio trazer um novo fôlego. Também as preocupações com questões de sustentabilidade e o aparecimento de novas formas de habitar, como habitações modulares e evolutivas, lançam novos desafios.

Depois arquitetura é tudo o que está à nossa volta, por isso somos observadores, atentos a pormenores, a cores e às sensações que os espaços nos transmitem.

Mesmo que estejamos a trabalhar noutra área seremos sempre “arquitetos”, em busca de soluções que tornem o “mundo” mais belo e agradável

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