Vítor Figueiredo

Vítor Figueiredo (1929-2004) radicou-se em Lisboa, sendo autor de um grande número de habitações sociais,  nas décadas de 60 e 70, bem como obras institucionais mais recentes. Paralelamente, foi professor em Coimbra e em Lisboa.

 

Biografia

Vítor Figueiredo nasce na Figueira da Foz a 17 de fevereiro de 1929. Licencia-se em arquitetura na Escola Superior de Belas Artes do Porto em 1959.

Ainda estudante, colaborou com Januário Godinho e com Nuno Teotónio Pereira.

Inicia atividade independente em Lisboa em 1960. Em 1962, conjuntamente com Vasco Lobo, Nuno Teotónio Pereira e Nuno Portas participa na elaboração do projeto da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa.

Em 1965 abre o seu próprio atelier, dedicando-se, nas décadas de 60 e 70 do século XX, ao projeto de habitação coletiva de custos controlados. Trabalha assim em colaboração com o Gabinete Técnico da Habitação (GTH) da Câmara Municipal de Lisboa e também para a Câmara de Setúbal. Colabora igualmente com a Federação das Caixas de Previdência – Habitações Económicas (HE-FCP) e com o Instituto Nacional da Habitação (INH). Tem assim perto de três dezenas de intervenções (entre projetos e obras) na denominada zona n.º 5, que englobava o distrito de Leiria e de Santarém.

No projeto de habitação social, e apesar dos escassos recursos económicos atribuídos, tenta conferir dignidade aos espaços comuns. Por outro lado, a nível de interiores tenta atribuir um suplemento de área, a fim de melhorar a vivência e criar flexibilidade de uso. Vítor Figueiredo considerava que os arquitetos deveriam propor um desenho de habitação social onde conseguissem morar, e não apenas um modelo que cumprisse os mínimos regulamentares. Demonstra assim uma visão realista e humanista da arquitetura e um afastamento ao legado funcionalista.

Arquitetura

A sua arquitetura é depurada, simples. Caracteriza-se por volumetrias de geometria pura, em que domina o branco. Contudo, muitas vezes, usa elementos da arquitetura própria do lugar. Há assim uma fusão de arquitetura e sítio. Pode-se considerar que algumas das suas intervenções têm mesmo um carácter quase anónimo. “Como se um arquiteto não tivesse passado por ali” nas palavras do próprio Vítor Figueiredo.

Por outro lado, a sua arquitetura potencia e valoriza o existente. A este propósito o arquiteto usa a metáfora da transformação da abóbora em carruagem de princesa. Assim, defende que a intervenção de um arquiteto vem sempre transformar e melhorar as condições existentes.

Nos últimos anos da sua vida, exerceu também atividade docente no Departamento de Arquitetura da Universidade de Coimbra e na Universidade Autónoma de Lisboa.

Faleceu a 30 de janeiro de 2004. O acervo de Vítor Figueiredo encontra-se no Forte de Sacavém (Sistema de Informação para o Património Arquitectónico), bem como, em diferentes arquivos municipais.

6 Obras de Vítor Figueiredo

“Cinco dedos” – Lotes 249 a 253 do Plano de Urbanização de Chelas

Lisboa. 1972-75


Imagem: Trienal de Arquitectura de Lisboa

Igreja do Convento dos Remédios

Évora, 1978-1988 / 1999-2003

Igreja de Albergaria de Fusos

Cuba, 1990-93


Imagem: Geocaching

Escola Superior de Artes Decorativas (ESAD)

Caldas da Rainha, 1990-96

Pólo da Mitra da Universidade de Évora

Évora, 1992-95


Imagem: EU Mies Award

Complexo Pedagógico, Científico e Tecnológico da Universidade de Aveiro

Aveiro, 1997-2000

Prémios

1986 Prémio da Associação Portuguesa dos Críticos de Arte.

1989 Prémio dos Programas Habitacionais de Setúbal.

1998 Prémio Secil pela obra da Escola Superior de Artes Decorativas, nas Caldas da Rainha.

2005 A título póstumo, a Câmara Municipal de Aveiro atribui a Menção Honrosa na categoria de Obra de Qualidade Excecional 2000-2003 ao seu projeto do Complexo Pedagógico, Científico e Tecnológico da Universidade de Aveiro.

+INFO

Documentário sobre Vítor Figueiredo – Arquivo RTP
Lista completa de obras

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